terça-feira, 6 de março de 2012

Vitrola

Minha vitrola desengonçada, ora toca, ora diz nada
eu fico na espera da canção tão desejada
Basta ela dar sinal de vida
meu coração palpita e meus dedos correm nos vinis
feito beijos desesperados
feito transa enlouquecida.
Escolho o disco e o ponho na agulha
abro uma gelada
deito no sofá
e fico chapada só de te escutar.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Diabo é isso?

Diabo é isso que acontece em nossas vidas, que não controlamos, que sai enfurecidamente pelo traço transmutal de nossos planos? Diabo é isso que penso hoje e amanhã não mais? Diabo é isso que tento acertar em cheio a bola da minha vez e pego na beirada de outra bola que nunca pensei um dia ser minha? Diabo é isso que acordo dando beijinhos e fazendo juras de amor ao meu companheiro e depois do almoço nos desentendemos de maneira irreversível? Diabo é isso que uso como meta e me mete numa emboscada? Diabo é isso que desentendo tanto as irregularidades dos acontecimentos que parei de querer planejar? Diabo é isso, do plano sai torto, do torto sai algo legal, de legal passa pra ilegal, de ilegal a ausencia explode? Diabo é isso que acontece comigo, ou melhor, que eu quero que aconteça e do nada desacontece? Nam, deixei disso.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A lembrança se esvai feito fumaça no ar

Ontem, voltando de dois dias e meio do maciço de Baturité, às margens do Parque das Cachoeiras de Guaramiranga, me deparei com a paisagem de todos os dias: o caminho para o trabalho. Foi um choque. Antes de chegar nesse trecho passamos pela descida sinuosa de Pacoti que desmancha em Palmácia e se encontra com a estrada verde-amarelo-vermelho de Maranguape. Maranguape me deixa vontade de morar, de andar de bicicleta, de ter prazer em olhar para cima e enxergar sua serra com nuvens anunciando um possivel respingo d'água. Não sei se é vontade de parar ou se vontade de ficar. Maranguape me parece leve, suspensa no tempo, um canto na estrada. Depois dela, a cidade se aproxima. O caminho de todos os dias me apavora.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Desejo de mar não passa

Nessa virada de ano eu só quero uma coisa: beijar o mar com meus pés.
Na verdade, eu queria isso pra vida inteira, e vez por outra subir uma serra,
ver umas montanhas lá do alto, ficar chapada nas chapadas bahianas,
curti um frio duma laguna caliente, virar bicho de bicicleta no sertão pernambucano,
pegar umas ondas grandes lá nos carioca, comer macarrão cozido com sal no Uyuni,
tomar um cházim de peyote desmanchada nas beiras do titicaca,
e fazer xixi acocada na mata escutando a queda d'água das cachoeiras de guará.
Mas, como o processo é lento e o barato é louco,
vou desejar, por enquanto, só pra virada de ano.

Boa virada pra tudim.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pensamento

O pensamento senti. O pensamento senti imagem. O pensamento pensa palavras imagens. O pensamento apanha pras palavras. O pensamento reflete imaginação. O que é o pensamento?

"A imagem tem a opacidade do infinito, às idéias, a clareza de quantidade finita(algo) e analisável.Ambas são expressivas." Sartre

Infinito

A procura do eu, doeu.
Dilacerou paixões. No começo, foram-se todas.
Até as que acreditaram um dia serem a essência do verdadeiro
ser, sendo, querendo, efetivar-se.(?)
A busca da essência do ser é a grande questão.
Existiria, por acaso, a pureza dessa essência?
O que sou vale equivaler a algo?
Eu existo, penso, finjo, me escamoteio, me ultrapasso(?)(!)
Seria a(s) verdade(s) a resposta das perguntas, o ponto em comum?
Mas assim, mesmo assim, deixaríamos a paz entrar na gente pela verdade?
A verdade de todos, mesmo todos tão diferentes, unificaria?
A união, como tudo ser um, unificaria?
Unificaria?Unificar?Unir, ficar, ía?
Depois da razão, lá no fundo do poço,
existe um infinito, onde a razão explode e se mistura
a luz de todas colorações.